domingo, 22 de novembro de 2009

NFC Cap. 2


Capítulo 2

A FÁBRICA DOS RELACIONAMENTOS

A Nova Economia para sustentar o Império do Consumidor, baseado em Produtos e Serviços identificados pelo baixo custo, adota a estratégia de transformar tudo o que é produzido, gerado e ofertado ao mercado, em comodities. Mesmo produtos que agregam tecnologias capazes de diferenciá-los, são disponibilizados em larga escala e se transformam em produtos de consumo massificado.
A marca mais significativa da Nova Economia é a Tecnologia da Informação realizando o link com o consumidor, oferecendo seus bens, e serviços, em um caminho identificado por sua via única, do produtor para o consumidor. A comunicação unilateral proposta está no preço de aquisição extremamente favorável e acontece automaticamente quando da aquisição. Não há mais nada para se dizer ao adquirente dos bens e serviços a não ser os ganhos pelo preço extremamente favorável. É por esta condição que o fornecimento é absolutamente impessoal, e não há nenhuma predisposição em alargar o dialogo com o consumidor.
A Nova Fábrica de Calçados-NFC, quer ocupar os espaços ainda não assumidos por esta visão econômica dos negócios que se propõe a ser dominante no mundo. O consumidor, na contra marcha da proposta da Nova Economia, está desenvolvendo o hábito de cada vez mais saber o que está consumindo para entender o Valor que receberá na sua aquisição. Não se pode negar que o baixo custo exercerá sempre uma atração quase irresistível, porém há aqueles que começam a descartar esta condição como o único determinante da compra, e podem ser instigados para aguçarem a sua curiosidade sobre aquilo que estão comprando, principalmente se verificarem que o ato de compra assume um papel mais amplo do que simplesmente incorporar um par de calçados ao seu vestuário. Entra em cena também a Tecnologia da Informação que é capaz de possibilitar o diálogo entre o Produtor e o Consumidor para estabelecer relacionamentos cujo propósito é o de fugir da comoditização.
Para avançar ainda mais nas propostas da Nova Fábrica de Calçados – NFC, duas são as suas premissas, que devem ser entendidas e incorporadas por todos os envolvidos como pedras basilares de sua ação, e cuja compreensão dão o significado da importância desta nova forma, de, não somente, atender e satisfazer necessidades e desejos das pessoas, mas principalmente se antecipando às mesmas.
Assim: temos que:
1º - O Foco da Nova Fábrica de Calçados-NFC não é o foco no Cliente nem o foco no Consumidor. O Foco da Nova Fábrica de Calçados-NFC é o foco do Cliente e o foco do Consumidor.
2ª- A Nova Fábrica de Calçados – NFC deve, migrar da condição de Agregar Valor para os Calçados, para a condição de agregar Valor para o Clientes e Consumidores dos calçados.
O MODO SISTÊMICO DE PENSAR A NOVA FÁBRICA DE CALÇADOS-NFC
Um das mais significativas mudanças acontecidas no final do século passado foi a mudança no entendimento de como se estruturam e funcionam as organizações, ou seja, de uma visão ou compreensão baseado no pensamento cartesiano para o entendimento daquelas segundo um pensamento sistêmico.
O concepção cartesiana tem a preocupação de dirigir a sua atenção nas partes componentes de uma estrutura organizacional, ou seja, quais as características intrínsecas e funcionais de cada setor da fábrica de calçados. Assim, a estruturação das fábricas em setores, de modelagem, de corte, costura, montagem, contabilidade, contas a pagar e a receber, almoxarifados e expedição – é o retrato fiel da forma de pensar adotada pelo pensamento cartesiano e que chegou até nós a partir da vivência e estruturas das fábricas de calçados européias e americanas. Esta característica estrutural predomina nas nossas fábricas até hoje em dia. Este modelo mental conduz a uma forma de pensar identificado por “ ir do todo para as suas partes”, o chamado modelo reducionista, pois se entende que é nestas partes que está a eficácia da organização. A lógica predominante é o da busca do aumento da eficácia de toda a fábrica a partir da eficácia das suas partes. Por esta forma de atuar, o todo eficaz resulta do somatório da eficácia de suas partes. Esta prática de estruturação de linhas de produção existe a mais de um século. A proposta original em supor que nesta estrutura produtiva, a eficácia do todo é o somatório de suas partes não se sustentou ao longo do tempo. As eficácias não se somam, pelo contrário, se dividem. Aliás os organogramas das nossas fábricas seguem também esta linha de pensamento.
Já a forma sistêmica de entender a fábrica de calçados vai na direção oposta, pois a unidade básica são os processos cujos relacionamentos vão dando o formato ao todo. Assim o Pensamento Sistêmico não se detém na análise da unicidade das partes, mas foca a sua ação em analisar como se desenvolvem os relacionamentos dos processos, buscando a sua integração com o propósito de gerar a sinergia cujo resultado deve ser maior do que o resultado alcançado quando se tem estes processos atuam individualmente. O modo sistêmico de raciocinar fundamenta-se na premissa de que a eficácia das partes integrando-se e relacionando-se é maior do que a eficácia do todo representado pelo somatório por suas partes.
“ Melhorias já foram e continuam a ser implementadas em nossas fábricas” , poderão alegar algumas lideranças, ao questionar este novo enfoque organizacional. Mas certamente é o pensamento sistêmico que vais “radicalizar” estas melhorias, acelerando-as. O pensamento sistêmico e a melhoria contínua são irmãs siamesas.
Ao transportarmos para a produção, o fundamento do pensamento sistêmico “o foco do fornecedor é o foco do cliente” , a operação identificada como “ fornecedora” deve dirigir os seus esforços de melhoria do seu processo nas necessidades operacionais do posto de trabalho identificado como cliente – o foco do cliente- . A premissa vigente é: “ O fornecedor é o fundamento da melhoria do seu cliente”. A produtividade do cliente é o resultado da produtividade projetada pelo fornecedor.
Deste modo, e por estranho que pareça para alguns, fornecedor é o responsável pela produtividade do cliente.
Ao assumir a responsabilidade da produtividade, automaticamente o fornecedor assume para si também, a responsabilidade da qualidade. Produtividade e Qualidade são os fundamentos que estruturam um sistema operacional: Somente haverá produtividade quando houver qualidade e vice-versa. Portanto também Qualidade e Produtividade são um par indissolúvel
Estes relacionamento de melhoria devem se difundir por toda a rede de produção da fábrica de calçados.
Ao levarmos este princípio para as demais operações, estabelecemos o primado de que os processos da fábrica se desenvolvem a partir dos relacionamentos dos “ processos fornecedores” com os “processos clientes” – O foco dos processo fornecedores são o foco dos processo clientes -. Esta é a mais significativa mudança de paradigmas que se torna o fundamento da Nova Fábrica de Calçados-NFC.
A figura 1 que segue mostra como O Foco do Cliente se propaga ou se difunde por toda a Rede de Fornecimentos, o que permite denominá-la como “ Rede do Foco do Cliente”
A outra faceta da Nova Fábrica de Calçados-NFC que desenvolve o modo de pensá-la de forma Sistêmica é a mudança da condição de Agregar Valor para os Calçados para a condição de Agregar Valor para os Clientes e Consumidores.
Esta proposta é desenvolvida pelo processo de co-criação, ou seja, a Fábrica e os clientes e consumidores atuam conjuntamente para a criação do Valor, agora não mais para os calçados, mas sim para o maior interessado que são participam ativamente deste processo criativo.
A experiência de co-criação transforma-se na própria base do Valor. O processo de criação de Valor centra-se nos indivíduos e em suas experiências de co-criação.
Novas premissas sempre acarretam novas implicações para os negócios. A interação de clientes e consumidores com as fábricas de calçados torna-se o lugar de criação do Valor. Como milhares de clientes e consumidores sem dúvida buscarão diferentes interações com a Nova Fábrica de Calçados-NFC, o processo de criação de Valor deve acomodar uma ampla variedade de experiências de co-criação. O contexto e o envolvimento dos clientes e consumidores enriquecem o significado de determinada experiência para as pessoas e identificam a singularidade da co-criação do Valor.
Estas premissas e implicações decorrentes da co-criação, identificam novas capacidades para as fábricas de calçados que se alinham com os fundamentos da Nova Fábrica de Calçados-NFC. A qualidade passa a depender da infra-estrutura das interações dos consumidores, clientes e fábricas de calçados, estruturadas em função da capacidade de criar uma ampla variedade de experiências. A Nova Fábrica de Calçados-NFC deve inovar os “ambientes de experiências”, que possibilitarão a diversidade de experiências de co-criação.
A Nova Fábrica de Calçados-NFC, vai construir uma “rede de experiências” flexível de modo que os clientes e consumidores em conjunto com os representantes da fábrica, co-constrúam e personalizem suas experiências. Resumindo, os papéis da Nova Fábrica de Calçados e dos clientes e consumidores convergem para uma experiência única de co-criação, ou uma “experiência de um”.
A partir desta visão de co-criação do Valor, as atividades de desenvolvimento e criação de novos produtos da Nova Fábrica de Calçados-NFC estarão distribuídas nos principais centros consumidores de calçados, representados pelos seus mais expressivos centros comerciais de calçados.
As figuras 2 e 3 apresentam a evolução da situação atual ou tradicional para a nova referência para a Criação de Valor para os Clientes e Consumidores.
Na figura 3, a Nova Fábrica de Calçados-NFC ao desenvolver a Co-geração de Valor, identifica ou representa o elo da Rede Foco do Cliente - Fig.: 1 - que estabelece relacionamentos sensíveis com os Clientes e Consumidores.
O Pensamento Sistêmico permite conduzir a evolução das fábricas de calçados do seu estágio atual para alcançar a proposta identificada como A Nova Fábrica de Calçados-NFC cuja principal característica é enfrentar vantajosamente as condições impostas pela Nova Economia. Esta característica é viabilizada pela compreensão de que a geração dos calçados envolve uma complexa rede de relacionamentos do qual a Nova Fábrica de Calçados-NFC é o mais significativo elo que liga a Rede Foco do Cliente ao mundo dos consumos e a principal porta de entrada das informações que resultam da co-criação do Valor.

NFC Cap. 1


Capítulo 1- PORQUE PRECISAMOS REPENSAR AS NOSSAS FÁBRICAS DE CALÇADOS: ALGUNS FUNDAMENTOS QUE SUBSIDIAM ESTA PROPOSTA


Hoje, quando nos propomos lançar idéias cujos propósitos são os de realinhar conceitos, princípios e fundamentos sobre temas, sejam eles de natureza cultural, social, tecnológica ou econômica, há que se ter a atenção voltada para o fenômeno dos “ ventos da mudança”, cuja influência é a de gerar o envelhecimento prematuro do que está sendo pensado como inédito.

Ao estarmos sujeitos a esta condição, os tempos atuais são extremamente perversos aos que se propõe contribuir com algo de novo, pois estas influências nos colocam na condição de cometer equívocos sem que o percebamos e expõe-nos facilmente à situações embaraçosas, ao falarmos de algo que sem sabermos, “ já era”.



  1. Estas considerações tem o propósito de lembrar que as mudanças, tão decantadas na bibliografia, realmente estão acontecendo e o que é mais dramático, a uma velocidade que muitas vezes ultrapassa a nossa capacidade de percebê-las. Assim, não é nada repetitivo lembrar a necessidade vital de estarmos preparados para recebê-las, ou mais ainda gerar competências que nos capacitem a nos antecipar às mesmas.
    Ao iniciarmos o desenvolvimento desta proposta-conceito identificada por “A nova fábrica de calçados” é importante que a mesma esteja perfeitamente alinhada e também contextualizada, com os ambientes de negócios atuais e fundamentalmente com os que se desenham para o futuro.
    Uma primeira e importante consideração a ser feita é aquela que aborda a integração econômica mundial. O mundo globalizado que hoje vivenciamos é o resultado de profundas mudanças econômicas e principalmente políticas, implementadas no final do século XX, quando as fronteiras geográficas das nações passaram ter um papel meramente indicativo de resguardo ou preservação de questões políticas locais e inerentes aos países. Ideologias foram deixadas de lado e substituídas por fluxos econômicos, movimentando produtos e serviços, cujos conteúdos básicos são novas tecnologias e novos conhecimentos.
    O fenômeno das mudanças não parou aqui. As pessoas e todos os envolvidos começaram a questionar estes chamados fluxos econômicos de tecnologias e conhecimentos passando a identificá-los, a partir de um substrato que lhes são inerentes, a Informação. A partir destas considerações e modo de pensar mais à frente, a mudança aconteceu, de modo que as trocas migraram da condição original de insumos tangíveis para os de insumos intangíveis, os fluxos de informações. Produtos e serviços podem ser substituídos perfeitamente por informações. Neste novo estágio da evolução da globalização, os intermediários de negócios cedem lugar para o consumidor. A informação não necessita de intermediação para chegar aos consumidores. A Tecnologia da Informação assume o papel de difusor da informação.
    À medida que os consumidores vão se multiplicando como beneficiários desta nova forma de relacionamento, comumente chamada de conectividade, verifica-se a necessidade da criação de uma grande rede facilitadora do “transporte” das informações a qualquer parte do mundo, a qualquer momento: esta grande rede passa a ser identificada pela sigla WWW - Wide World Web – por nós chamada de Internet.
    Esta rede fundamenta e consagra o que podemos chamar de Império do Consumidor.
    Os dois fatores: a globalização dos negócios e a rede mundial de informações à serviço do Império do Consumidor deram origem a Nova Economia. É neste contexto que surge a proposta de Nova Fábrica de Calçados - NFC.


  2. A Nova Economia ao abrir os mercados mundiais para todos, oferecendo um incontável número de oportunidades de negócios e a oferta de uma inimaginável agenda de clientes ávidos pelo Valor de produtos e serviços, mostra, paralelamente a estes benefícios, o seu lado perverso, identificado pela sua capacidade de rápida Comoditização – processo de tornar novos produtos, serviços e conhecimentos como coisas comuns, de baixo valor - como resultante desta integração econômica e principalmente da conectividade propiciada pelo rápido fluxo de informações. Este fenômeno assume as mais diversas e surpreendentes formas de manifestação, fazendo o Valor do que é ofertado, despencar rapidamente ou até instantaneamente de patamares os mais elevados, para posições inferiores de atratividade frente aos consumidores e o mercado.
    Apesar deste fenômeno, que mostra complexidade do mundo dos negócios de hoje, continuam sendo os mercados e os consumidores, tanto atuais como potenciais, os mais poderosos agentes da tomada de decisão do que se deseja adquirir. Ao olharmos para a atividade da fabricação, oferta e comercialização de calçados, verificamos que estes continuam e permanecerão soberanos na sua prerrogativa de decidir, pelos calçados que lhes convém adquirir e qual a sua origem.


  3. Igualmente são aqueles os que têm a poder e a condição de identificar o quanto os seus fornecedores estão exercendo a condição Valorar os calçados, e no caso da sua não realização, sem nenhum preconceito ou destemor, migrarão para um fornecedor mais competente e eficaz em lhes fornecer este atributo. Esta situação identifica que o Valor migrou de um fornecedor para outro.
    Em uma economia global e conectada, o fenômeno da Migração do Valor passa a ter uma maior abrangência, deixando de focar empresas individualmente , para abranger setores econômicos como um todo. Deve-se ter em mente também que estas atividades econômicas perdem a “localidade” regional para assumirem a nacionalidade do País onde se situam. Temos então as mudanças de indústria calçadista do Vale do Sinos, para indústria calçadista brasileira e por extensão, também a indústria calçadista italiana, a chinesa e outras de igual modo identificadas.
    A partir desta consideração, passa-se também colocar que o Valor está migrando de um setor industrial nacional para outro e não mais de fábrica para fábrica.
    A condição mais relevante na Nova Economia é o foco das transações comerciais, identificado pela capacidade dos setores econômicos em gerar Valor para os seus mercados e mais especificamente para os seus clientes.
    A nova ordem econômica mundial, por seu dinamismo, influenciada pelos fatores já considerados, gerou nos últimos anos, profundas mudanças dos cenários tanto do lado dos fornecedores, como dos consumidores.
    Fornecedores de calçados, até agora ocupantes de posições de menor relevância, foram despertados para as suas potencialidades frente aos mercados que se dinamizaram, e assumiram posicionamentos de importantes fornecedores de calçados. É o caso da China e a Índia. Seguiram também nesta linha de comportamento os países do leste europeu, tradicionais fornecedores de calçados para a antiga União Soviética, como a Hungria – altamente competente e competitiva na fabricação de calçados -, República Tcheca – onde até hoje se situa uma das, senão a maior fábrica de calçados do mundo, a antiga Bata -, e a República Eslovaca . A queda das barreiras ideológicas também geraram novos fornecedores como o Vietnã.


  4. Algumas considerações de ordem estratégica merecem ser feitas quando se deseja conhecer mais profundamente os posicionamentos destes novos players.
    As atividades econômicas podem ser classificados, sob o ponto de vista da aplicação de mão de obra, da gestão de processos, do desenvolvimento tecnológico de processos, e do desenvolvimento tecnológico de novos produtos, em três grandes grupos:
    - Intensivas em Mão de Obra: que são aquelas em que a maior contribuição ou peso para a realização do Valor dos produtos e serviços está na preponderante aplicação de mão de obra. Uma de suas características é a baixa flexibilidade em atender às variações da demanda. Os lotes produzidos são de grande quantidade de itens, com poucas variações de tipos, modelos. Ao se identificarem pela sua inflexibilidade em atender variações de demandas, a sua capacidade de Agregação de Valor se processa basicamente pelo Baixo Custo;
    - Intensivas em Produtividade: são aquelas em que as tecnologias de gestão assumem um papel preponderante e essencial para a flexibilidade dos processos de geração dos produtos e serviços, em ambientes de Alta Produtividade. A Agregação de Valor resulta, da flexibilidade em atender as variações e as diversas naturezas das demandas; do atendimento de nichos de mercado; da incorporação de novas tecnologias de produtos. Agregação de Valor passa para um estágio mais elevado e de maior flexibilidade identificado pela Inovação do Valor. Esta estratégia de atuação , segue o paradigma da Nova Economia pois busca a aproximação e a integração do fornecedor com o Império do Consumidor.
    - Intensivas em Tecnologia: São aquelas em que o Valor Agregado é sustentado pelos avanços e a inovação tecnológica, principalmente da Tecnologia da Informação. Os custos relativos à sua geração – mão de obra por exemplo - são inexpressivos frente aos custos e investimentos em pesquisa tecnológica e nas tecnologias utilizadas na sua geração. A Agregação do Valor segue basicamente o processo de Inovação do Valor. Esta forma de atuação segue integralmente os fundamentos da Nova Economia, pois se fundamenta na alta conectividade com o Império do Consumidor.
    Tradicionalmente a fabricação do calçado em todo o mundo situa-se no primeiro grupo dos anteriormente referenciados, Intensivas em Mão de Obra, tendo como estratégia de geração de Valor o baixo custo, como já foi colocado. Esta é também a estratégia da maioria significativa das fábricas de calçados brasileiras como também da atividade calçadista mundial emergente nos países anteriormente relacionados, com especial destaque para a China, Índia pelos grandes volumes de produção colocados à disposição do mercado, a partir dos últimos anos.
    É de extrema importância nos determos no caso chinês e fazermos algumas considerações sobre o mesmo. Dada a disponibilidade de altos contingentes de mão de obra - aproximadamente 300 milhões de pessoas - os cenários identificam que este país, intensificará as suas ações de produzir calçados dentro do fundamento de atividade Intensiva em Mão de Obra, de baixo custo portanto. A medida que este estágio de sua estratégia for se consolidando, somando-se a este, a capacitação e melhoria de competências gerenciais em gestão de processos e o desenvolvimento de tecnologias de processos mais avançadas – o que já está acontecendo - as fábricas de calçados chinesas migrarão para fabricação de calçados sob o prisma de atividade Intensivas em Produtividade onde a oferta de Valor baseia-se na flexibilidade da manufatura e na a Inovação do Valor dos calçados pelo design, fashion e custos alinhados com a oferta de diferenciação. Porém, diante da astronômica disponibilidade de mão de obra, novos contigentes desta serão incorporadas às novas fábricas de calçados que surgirão, continuando a oferecer o calçados de Baixo Custo. A China está se propondo açambarcar estes dois mercados consumidores. Não é somente uma questão competitiva que está em jogo, mas sim, a necessidade imperiosa que este país tem de dar emprego às milhões de pessoas que precisam trabalhar e de uma ou outra forma prover o seu sustento. É importante ressaltar também que esta estratégia não se aplica somente à indústria calçadista, mas estende-se também à produção de outros bens de consumo.
    O Império do Consumidor ao manifestar suas necessidades e desejos, amplia as exigências aos seus fornecedores, a partir da conectividade e da instantaneidade dos fluxos de informação, tornando rapidamente o que é inovador em coisas comuns, acelerando o processo de comoditização.
    Diante deste cenário mundial para a indústria calçadista brasileira é que surge a proposta da Nova Fábrica de Calçados - NFC. Talvez a denominação não seja a mais adequada, pois que no nosso País, uma pujante atividade calçadista há mais de trinta anos fornece calçados para o mundo inteiro a partir de competências que lhe asseguraram uma posição de destaque nesta atividade.
    Como os cenários são dotados de uma dinâmica de rápidas mudanças, há a necessidade de se avançar continuamente na busca de condições mais privilegiadas no ambiente global e conectado do consumo de calçados.
    A indústria calçadista brasileira tem este lastro de potencialidades construídos ao longo destes anos que lhe asseguram condições ímpares, e excepcionais para continuar o processo de upgrade de sua eficácia empresarial para continuar por muito anos caminhar nesta trajetória vitoriosa de um dos maiores fornecedores de calçados mundiais.
    É com base nestas considerações que descreveremos nos próximos cinco capítulos, a Nova Fábrica de Calçados – NFC, como uma organização que desenvolve competências para atender vantajosamente, frente aos concorrentes mundiais, as demandas do Império do Consumidor de calçados, inserido na Nova Economia.

NFC é obra do Eng. MSc. Fernando Oscar Geib, Diretor da CINÉTICA Assessoria Empresarial Ltda. Estando no México, recebi informativo do IBTec divulgando conferência ministrada pelo Eng. Geib. Como estava a 10.000 km não poderia assistir e solicitei material para análise. Para minha surpresa, o Eng. Geib enviou material ao meu e-mail.

Agora, estando no Brasil, periódicamente nos reunimos para filosofar sobre técnicas passadas usadas na organização da indústria e sobre novas tendências. No início, a filosofia NFC me parecia algo como a extinta Brashoes, porém os frequentes encontros com o Eng. Geib me mostraram que não. NFC busca levar á fábrica de calçados, uma filosofia de organização industrial, em todos os aspectos, com ênfase a "curvatura do espaço", tanto no desenho industrial, como na estrutura dos processos que a fazem funcionar. Embora a compreensão do pensamento NFC exija concentração por parte do leitor, o método se torna mais claro a partir dos módulos “A NFC na prática”! Também contamos com um belo vídeo que pode ser enviado a você se o solicitares.

Depois de ter recebido do Engenheiro, um powerpoint de sua ultima conferência, a filosofia começa a tomar forma no meu pensamento. Agradeço a Geib a liberdade em passar a divulgar seu pensamento, a visão NFC. Aqui neste espaço, assim como a revista Tecnicouro do IBTeC, passarei a publicar informações da NFC. Dúvidas e maiores informações podem ser solicitadas diretamente ao Eng. MSc. Fernando Oscar Geib através do e-mail cineticanh@uol.com.br.

O exposto nos artigos a seguir é rico material á críticos, engenheiros, cronoanalistas, consultores, administradores e estrategistas. Ou porque não dizer, aos apaixonados pela inovação e

criação de novos valores. Forte abraço de Ceschini e Geib.