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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

NFC Cap. 3




Capítulo 3





INOVANDO O VALOR PARA OS CLIENTES, CONSUMIDORES E O MERCADO





O termo “Inovação” é a bola da vez. Quando perguntamos às pessoas o que elas entendem por Inovação, depois de algum silêncio e dificuldade para a sua expressão, obtemos uma resposta que aponta na sua quase totalidade das vezes, para algo novo e incomum, um produto ou um serviço ainda não conhecido, o qual por suas características físicas e funcionais proporciona aos seus usuários um benefício na maioria das vezes inédito.



Não nos damos conta, mas a nossa vida identifica-se por convivermos permanentemente com Inovações, de toda a ordem e origem, onde a Internet, telefone celular, revistas e bibliografias dedicadas, são os principais veículos de sua disponibilização, na maioria das vezes por nós não percebidas à medida que vão surgindo. O mais importante destas situações, está no fato destas “novidades” passarem a afetar significativamente o nosso dia-a-dia pessoal e profissional, quando não mudarem nossa vida de forma bem radical. .



Estas influências estão intimamente relacionadas ao que denominamos de Utilidade que nos é oferecida por estas novas formas das coisas serem. Assim, uma bem próxima, e que nos trouxe uma inestimável contribuição foi o videocassete, fazendo a migração do cinema como forma de entretenimento a partir das enormes salas específicas, para a condição de transmissão de informações e conhecimento agora dentro das organizações. Paremos e raciocinemos para perceber a importância e as contribuições do que podemos denominar de “cinema nas organizações”. Foram inúmeras as utilidades deste novo formato da comunicação: treinamentos gerenciais e operacionais, comunicação de novos produtos e serviços para os clientes e mercados, mídia institucional em eventos e outras formas de promover o conhecimento organizacional.



Porém, nem bem esta singular forma de comunicação - o videocassete - se consolidou, avançou-se para um novo estágio inovacional da comunicação que é a Internet.



O que se pode perceber nesta seqüência de eventos é a constante preocupação com a Inovação do Valor. A Informação não foi inovada com a utilização do cinema como meio, posteriormente com o videocassete e agora com a Internet. A Informação continua sendo a informação. O que se inovou foi o Valor da Informação, pela condição desta ser cada vez mais contextualizada pela rapidez de sua oferta, por estar disponível quando de sua necessidade, pela sua instantaneidade, atualidade, conectividade e precisão.



A Nova Fábrica de Calçados -NFC é a fábrica da Inovação do Valor para os seus clientes, usuários e mercados.



No capítulo 2/6, anterior a este, abordamos a Co-criação do Valor para os usuários dos calçados, como resultante das interações diretas da Nova Fábrica de Calçados-NFC com os seus Consumidores, e onde também prevalece a abordagem do primado de que o Foco da Fábrica é o Foco do Cliente. Esta ação pode ser também identificada por seu grande propósito que é o de aplicar os fundamentos da Melhoria Contínua para o aperfeiçoamento das interações Fábrica-Consumidor.



A Inovação do Valor-IV é o estágio mais evoluído da proposta de mudança para as fábricas de calçados, pois que ela amplia o Caráter Sistêmico da Nova Fábrica de Calçados-NFC.



A Inovação do Valor abrange a fase da Co-criação e amplia o processo do Valor, ou seja, expande o conceito de “O Foco da Fábrica é o Foco do Cliente” para uma busca do Valor a partir de um processo sistematizado e fundamentado em Diretrizes de Longo Prazo. A Inovação do Valor fundamenta-se em aumentar continuamente a Utilidade dos calçados para os Clientes e Consumidores e Mercados.



A Melhoria Contínua da Utilidade deve ser entendida como a Melhoria Contínua da Qualidade de Ser Útil. Assim, a proposta da Nova Fábrica de Calçados-NFC, ao Inovar o Valor é tornar os calçados de Utilidade crescente, a partir da Melhoria Contínua da qualidade deste requisito.



Exigências dos ambientes de trabalho e da própria natureza do trabalho deram os primeiros passos para aumentar a Utilidade dos calçados. Este processo ocorreu e ainda ocorre no aperfeiçoamento dos chamados Calçados de Segurança que atingiram elevados níveis de Utilidade. Existe hoje um sistema extremamente bem articulado de Normas Internacionais para a fabricação destes calçados que expandem a sua utilização para a quase totalidade das práticas do trabalho humano, em ambientes desfavoráveis e também quando a natureza do trabalho põe em risco mais elevado, a segurança e a saúde do trabalhador.



É deste patamar de Modelo Mental que parte a Nova Fábrica de Calçados-NFC, ou seja, todo e qualquer calçado, destinado a todo e qualquer uso, deve passar necessariamente pelo processo de Inovação do Valor ou da melhoria significativa da qualidade de sua Utilidade.



Assim Calçados – Infantis, para Jovens e para Adultos, casuais e esportivos -, deverão alinhar-se aos fundamentos da Nova Fábrica de Calçados-NFC, aumentando significativamente a sua Utilidade pela Inovação do Valor a partir da sua construção baseada em fundamentos da Biomecânica, para assegurar a saúde do pé e do corpo Humano.



A Nova Fábrica de Calçados-NFC alinha também os calçados para Idosos, cuja expectativa de vida é crescente pelos avanços da resolutividade da Medicina e pelo seu foco na Promoção da Saúde . A este enorme contingente de pessoas, de alto poder aquisitivo, devem ser também dirigidos os esforços da Inovação do Valor e Aumento da Utilidade dos calçados, permitindo a estas pessoas além do caminhar, a prática saudável de esportes com calçados que protejam eficazmente as partes mais sensíveis dos seus corpos exigidas nestas atividades, preservando e melhorando a sua saúde.



Os caminhos da Inovação do Valor assumidos pela Nova Fábrica de Calçados não terminam por aqui.



Os benefícios da integração dos fundamentos da Biomecânica- leia-se saúde e conforto para o pé e o corpo humano - com a criatividade dos designers a promoção da moda, da criatividade e do fashion, também serão desenvolvidos como fundamentos para a consolidação da Inovação do Valor pela Nova Fábrica de Calçados – NFC.



A Inovação do Valor aumentando a Utilidade dos calçados avança também pela rapidez na disponibilização destes a partir de respostas rápidas aos Clientes e ao Mercado, pela utilização de fundamentos de Engenharia Simultânea, da Produção Enxuta e das demais ferramentas de gestão hoje altamente utilizadas nos processos de manufatura no mundo inteiro , as quais tem a capacidade de reduzir sensivelmente os prazos de desenvolvimento e de fabricação, permitindo gerar calçados totalmente alinhados com as grandes diretrizes da moda e do fashion em curtos espaços de tempo entre a solicitação dos Clientes e o atendimento das mesmas.



Assim, é de fundamental importância a Liderança da Nova Fábrica de Calçados – NFC , ter a compreensão de que a Inovação do Valor deve estabelecer um Fluxo de Valor permanente entre esta e os seus Consumidores, gerando permanentemente a renovação de Significados de Valor para os mesmos.



Por outro lado também é vital para ela, a condição da sua Liderança desenvolver e esforçar-se em um processo que forneça de forma clara para todos seus Membros este conceito de Inovação do Valor. É ele que vai fazer a diferença!



Esta concepção fundamenta-se em Visões de Futuro e num olhar permanente para o que se deseja que aconteça neste porvir, onde todos os membros da fábrica passam a identificar as oportunidades oferecidas para agregar os insumos de Valor, tanto à Nova Fábrica de Calçados-NFC como aos Calçados e Serviços e principalmente aos Consumidores e Mercados. A Inovação do Valor deve resultar em valor explícito para esta parte interessada.



Os calçados e serviços disponibilizados e oferecidos com enfoque e concepção sistêmica, devem tornar a Nova Fábrica de Calçados-NFC “desejada” no mercado, em detrimento das demais concorrentes. Estes qualificativos de valorização não são materiais, mas sim relacionam-se à uma escala de Valor a ser conquistada continuamente, identificando a diferenciação gerada frente aos seus concorrentes. Este plus de Valor oferecido é o que vai conquistar os corações e mentes dos Consumidores.



A estratégia e a sua gestão efetiva, está no centro de toda esta conceituação. São ambas que dão sustento à diferenciação pretendida e proporciona a condição de “fazer as coisas” para os clientes e o mercado, onde o Valor passa a ser a moeda de troca.



O reinventar permanentemente o seu Negócio, é uma condição imperiosa, pois define conceitos de comportamentos organizacionais únicos perfeitamente visíveis e tangíveis, fundamentando a auto-sustentabilidade pelo Valor gerado tanto para a Fábrica como para os Clientes e o Mercado.



O Valor tem uma característica intrínseca que não pode ser esquecida pelos gestores: Ele é mutante, migrando daquelas estruturas que se desviaram do caminho de sua geração, para aquelas que momentaneamente são mais sábias em fazê-lo. Estas também não podem ficar despreocupadas com o galardão alcançado. Logo ali surgirão concorrentes sequiosos de tomar este troféu para sí.



A Migração do Valor não tem hora e nem dá o aviso quando acontecerá!



A Nova Fábrica de Calçados-NFC é portanto uma Inovação do conceito negócio fabricar calçados, onde o seu gerenciamento lhe proporciona a condição de continuamente avançar na capacidade de reter a competência em Inovar o Valor para os seus Clientes e Mercados.



Um fator de suprema importância ligado ao Valor, que facilita o seu entendimento e percepção, é o seu Significado, característica que lhe é inerente. O processo de tomada de decisão dos consumidores é altamente estimulado pela sua capacidade de perceber Significados de Valor inerentes aos calçados que lhes são oferecidos. São os Significados que estimulam os Mapas de Valor dos Modelos Mentais das pessoas. Assim, uma vez identificado que o Significado de Valor oferecido coincide com o Valor Pessoal do consumidor, materializa-se o desejo de aquisição dos calçados ofertado. O que aconteceu foi o alinhamento do Valor oferecido com o Valor pessoal.



Neste jogo de significados é importante salientar que o atendimento dos Significados de Valor pessoais resulta em elevados níveis de satisfação pessoal, cuja conseqüência é a fidelidade aos produtos e serviços que apresentam tal identidade.



A palavra-chave para a Inovação do Valor são os seus Significados para os Consumidores.



A Inovação do Valor deve estabelecer um fluxo desta característica, de modo permanente entre a fábrica e os seus consumidores, que gere permanentemente a renovação de Significados de Valor para os mesmos.



A Nova Fábrica de Calçados-NFC deve ser entendida como um novo patamar de desenvolvimento desta atividade econômica, identificada pelo contínuo inovar do Valor dos seus produtos e serviços agregados, pela antecipação do atendimento das necessidades atuais e principalmente das necessidades latentes e inimaginadas dos seus clientes e consumidores, quanto aos seus desejos, de adequação do seu vestuário aos contextos culturais vigentes – a moda - , de ascensão social pelo bem vestir, de proteção e conforto para os seus pés e de qualidade de vida pela preservação da saúde do pés e do seu corpo. Estes são os Significados de Valor que mobilizam os Modelos Mentais dos modernos consumidores de calçados.



A Nova Fábrica de Calçados-NFC identifica-se por suas virtudes em:



- Ser orientada ou “puxada” por uma Liderança Visionária fundamentada em uma Visão de longo prazo que contempla permanentemente a premissa de ter o seu Foco no Foco dos Clientes, Consumidores e Mercado;



- Basear a sua ação em estratégias e ações focadas nos Resultados, sejam eles da Inovação do Valor, e a melhoria Contínua da Utilidade para os seus Clientes e Consumidores e os inerentes às necessidades das demais partes Interessadas;



- Ser uma Organização que Aprende, isto é, ter como o fundamento de sua ação, o Aprendizado Pessoal e Organizacional voltado para a Inovação, para a aplicação do conhecimento humano como fundamento da inovação gerencial e tecnológica, otimizando a utilização destes recursos para a geração de diferenciais de Valor dos calçados produzidos e dos serviços a eles incorporados, de modo que a qualificação do Valor esteja em constante evolução a favor da Qualidade da Utilidade dos calçados oferecidos.



- A sua operação está baseada no gerenciamento estratégico dos seus Relacionamentos, não somente com os seus Clientes Consumidores e Mercados para os quais há o repasse dos insumos de Valor, mas também, com as seus Acionistas, com a sua Força de Trabalho ou Colaboradores, com os seus Fornecedores e com a Comunidade onde a Nova Fábrica de Calçados-NFC se insere.



O processo intensivo da Inovação do Valor, impõe para a Nova Fábrica de Calçados-NFC, novos paradigmas de gestão, entre os quais está a medição da Produtividade na Inovação do Valor, ou produtividade na Melhora da Utilidade dos Calçados gerados. Estes novos enfoques gerenciais não devem ser entendidos pela sua liderança como despropósitos ou avanços em gestão desconexas e fora de realidade. Eles são fruto ou manifestação desta contínua ação inovadora que se manifesta e estende também para o gerenciamento da Nova Fábrica de Calçados - NFC.

Novos conceitos e fundamentos tem o dom de questionar o status atual, até muitas vezes vitorioso, e gerar questionamento nem sempre respondidos nos prazos que os questionadores desejam. É uma oportunidade de novos dias quando as contribuições são lançadas e geram esta inquietação. É sinal que elas tem um significado que tocou o íntimo dos seus leitores.

domingo, 22 de novembro de 2009

NFC Cap. 1


Capítulo 1- PORQUE PRECISAMOS REPENSAR AS NOSSAS FÁBRICAS DE CALÇADOS: ALGUNS FUNDAMENTOS QUE SUBSIDIAM ESTA PROPOSTA


Hoje, quando nos propomos lançar idéias cujos propósitos são os de realinhar conceitos, princípios e fundamentos sobre temas, sejam eles de natureza cultural, social, tecnológica ou econômica, há que se ter a atenção voltada para o fenômeno dos “ ventos da mudança”, cuja influência é a de gerar o envelhecimento prematuro do que está sendo pensado como inédito.

Ao estarmos sujeitos a esta condição, os tempos atuais são extremamente perversos aos que se propõe contribuir com algo de novo, pois estas influências nos colocam na condição de cometer equívocos sem que o percebamos e expõe-nos facilmente à situações embaraçosas, ao falarmos de algo que sem sabermos, “ já era”.



  1. Estas considerações tem o propósito de lembrar que as mudanças, tão decantadas na bibliografia, realmente estão acontecendo e o que é mais dramático, a uma velocidade que muitas vezes ultrapassa a nossa capacidade de percebê-las. Assim, não é nada repetitivo lembrar a necessidade vital de estarmos preparados para recebê-las, ou mais ainda gerar competências que nos capacitem a nos antecipar às mesmas.
    Ao iniciarmos o desenvolvimento desta proposta-conceito identificada por “A nova fábrica de calçados” é importante que a mesma esteja perfeitamente alinhada e também contextualizada, com os ambientes de negócios atuais e fundamentalmente com os que se desenham para o futuro.
    Uma primeira e importante consideração a ser feita é aquela que aborda a integração econômica mundial. O mundo globalizado que hoje vivenciamos é o resultado de profundas mudanças econômicas e principalmente políticas, implementadas no final do século XX, quando as fronteiras geográficas das nações passaram ter um papel meramente indicativo de resguardo ou preservação de questões políticas locais e inerentes aos países. Ideologias foram deixadas de lado e substituídas por fluxos econômicos, movimentando produtos e serviços, cujos conteúdos básicos são novas tecnologias e novos conhecimentos.
    O fenômeno das mudanças não parou aqui. As pessoas e todos os envolvidos começaram a questionar estes chamados fluxos econômicos de tecnologias e conhecimentos passando a identificá-los, a partir de um substrato que lhes são inerentes, a Informação. A partir destas considerações e modo de pensar mais à frente, a mudança aconteceu, de modo que as trocas migraram da condição original de insumos tangíveis para os de insumos intangíveis, os fluxos de informações. Produtos e serviços podem ser substituídos perfeitamente por informações. Neste novo estágio da evolução da globalização, os intermediários de negócios cedem lugar para o consumidor. A informação não necessita de intermediação para chegar aos consumidores. A Tecnologia da Informação assume o papel de difusor da informação.
    À medida que os consumidores vão se multiplicando como beneficiários desta nova forma de relacionamento, comumente chamada de conectividade, verifica-se a necessidade da criação de uma grande rede facilitadora do “transporte” das informações a qualquer parte do mundo, a qualquer momento: esta grande rede passa a ser identificada pela sigla WWW - Wide World Web – por nós chamada de Internet.
    Esta rede fundamenta e consagra o que podemos chamar de Império do Consumidor.
    Os dois fatores: a globalização dos negócios e a rede mundial de informações à serviço do Império do Consumidor deram origem a Nova Economia. É neste contexto que surge a proposta de Nova Fábrica de Calçados - NFC.


  2. A Nova Economia ao abrir os mercados mundiais para todos, oferecendo um incontável número de oportunidades de negócios e a oferta de uma inimaginável agenda de clientes ávidos pelo Valor de produtos e serviços, mostra, paralelamente a estes benefícios, o seu lado perverso, identificado pela sua capacidade de rápida Comoditização – processo de tornar novos produtos, serviços e conhecimentos como coisas comuns, de baixo valor - como resultante desta integração econômica e principalmente da conectividade propiciada pelo rápido fluxo de informações. Este fenômeno assume as mais diversas e surpreendentes formas de manifestação, fazendo o Valor do que é ofertado, despencar rapidamente ou até instantaneamente de patamares os mais elevados, para posições inferiores de atratividade frente aos consumidores e o mercado.
    Apesar deste fenômeno, que mostra complexidade do mundo dos negócios de hoje, continuam sendo os mercados e os consumidores, tanto atuais como potenciais, os mais poderosos agentes da tomada de decisão do que se deseja adquirir. Ao olharmos para a atividade da fabricação, oferta e comercialização de calçados, verificamos que estes continuam e permanecerão soberanos na sua prerrogativa de decidir, pelos calçados que lhes convém adquirir e qual a sua origem.


  3. Igualmente são aqueles os que têm a poder e a condição de identificar o quanto os seus fornecedores estão exercendo a condição Valorar os calçados, e no caso da sua não realização, sem nenhum preconceito ou destemor, migrarão para um fornecedor mais competente e eficaz em lhes fornecer este atributo. Esta situação identifica que o Valor migrou de um fornecedor para outro.
    Em uma economia global e conectada, o fenômeno da Migração do Valor passa a ter uma maior abrangência, deixando de focar empresas individualmente , para abranger setores econômicos como um todo. Deve-se ter em mente também que estas atividades econômicas perdem a “localidade” regional para assumirem a nacionalidade do País onde se situam. Temos então as mudanças de indústria calçadista do Vale do Sinos, para indústria calçadista brasileira e por extensão, também a indústria calçadista italiana, a chinesa e outras de igual modo identificadas.
    A partir desta consideração, passa-se também colocar que o Valor está migrando de um setor industrial nacional para outro e não mais de fábrica para fábrica.
    A condição mais relevante na Nova Economia é o foco das transações comerciais, identificado pela capacidade dos setores econômicos em gerar Valor para os seus mercados e mais especificamente para os seus clientes.
    A nova ordem econômica mundial, por seu dinamismo, influenciada pelos fatores já considerados, gerou nos últimos anos, profundas mudanças dos cenários tanto do lado dos fornecedores, como dos consumidores.
    Fornecedores de calçados, até agora ocupantes de posições de menor relevância, foram despertados para as suas potencialidades frente aos mercados que se dinamizaram, e assumiram posicionamentos de importantes fornecedores de calçados. É o caso da China e a Índia. Seguiram também nesta linha de comportamento os países do leste europeu, tradicionais fornecedores de calçados para a antiga União Soviética, como a Hungria – altamente competente e competitiva na fabricação de calçados -, República Tcheca – onde até hoje se situa uma das, senão a maior fábrica de calçados do mundo, a antiga Bata -, e a República Eslovaca . A queda das barreiras ideológicas também geraram novos fornecedores como o Vietnã.


  4. Algumas considerações de ordem estratégica merecem ser feitas quando se deseja conhecer mais profundamente os posicionamentos destes novos players.
    As atividades econômicas podem ser classificados, sob o ponto de vista da aplicação de mão de obra, da gestão de processos, do desenvolvimento tecnológico de processos, e do desenvolvimento tecnológico de novos produtos, em três grandes grupos:
    - Intensivas em Mão de Obra: que são aquelas em que a maior contribuição ou peso para a realização do Valor dos produtos e serviços está na preponderante aplicação de mão de obra. Uma de suas características é a baixa flexibilidade em atender às variações da demanda. Os lotes produzidos são de grande quantidade de itens, com poucas variações de tipos, modelos. Ao se identificarem pela sua inflexibilidade em atender variações de demandas, a sua capacidade de Agregação de Valor se processa basicamente pelo Baixo Custo;
    - Intensivas em Produtividade: são aquelas em que as tecnologias de gestão assumem um papel preponderante e essencial para a flexibilidade dos processos de geração dos produtos e serviços, em ambientes de Alta Produtividade. A Agregação de Valor resulta, da flexibilidade em atender as variações e as diversas naturezas das demandas; do atendimento de nichos de mercado; da incorporação de novas tecnologias de produtos. Agregação de Valor passa para um estágio mais elevado e de maior flexibilidade identificado pela Inovação do Valor. Esta estratégia de atuação , segue o paradigma da Nova Economia pois busca a aproximação e a integração do fornecedor com o Império do Consumidor.
    - Intensivas em Tecnologia: São aquelas em que o Valor Agregado é sustentado pelos avanços e a inovação tecnológica, principalmente da Tecnologia da Informação. Os custos relativos à sua geração – mão de obra por exemplo - são inexpressivos frente aos custos e investimentos em pesquisa tecnológica e nas tecnologias utilizadas na sua geração. A Agregação do Valor segue basicamente o processo de Inovação do Valor. Esta forma de atuação segue integralmente os fundamentos da Nova Economia, pois se fundamenta na alta conectividade com o Império do Consumidor.
    Tradicionalmente a fabricação do calçado em todo o mundo situa-se no primeiro grupo dos anteriormente referenciados, Intensivas em Mão de Obra, tendo como estratégia de geração de Valor o baixo custo, como já foi colocado. Esta é também a estratégia da maioria significativa das fábricas de calçados brasileiras como também da atividade calçadista mundial emergente nos países anteriormente relacionados, com especial destaque para a China, Índia pelos grandes volumes de produção colocados à disposição do mercado, a partir dos últimos anos.
    É de extrema importância nos determos no caso chinês e fazermos algumas considerações sobre o mesmo. Dada a disponibilidade de altos contingentes de mão de obra - aproximadamente 300 milhões de pessoas - os cenários identificam que este país, intensificará as suas ações de produzir calçados dentro do fundamento de atividade Intensiva em Mão de Obra, de baixo custo portanto. A medida que este estágio de sua estratégia for se consolidando, somando-se a este, a capacitação e melhoria de competências gerenciais em gestão de processos e o desenvolvimento de tecnologias de processos mais avançadas – o que já está acontecendo - as fábricas de calçados chinesas migrarão para fabricação de calçados sob o prisma de atividade Intensivas em Produtividade onde a oferta de Valor baseia-se na flexibilidade da manufatura e na a Inovação do Valor dos calçados pelo design, fashion e custos alinhados com a oferta de diferenciação. Porém, diante da astronômica disponibilidade de mão de obra, novos contigentes desta serão incorporadas às novas fábricas de calçados que surgirão, continuando a oferecer o calçados de Baixo Custo. A China está se propondo açambarcar estes dois mercados consumidores. Não é somente uma questão competitiva que está em jogo, mas sim, a necessidade imperiosa que este país tem de dar emprego às milhões de pessoas que precisam trabalhar e de uma ou outra forma prover o seu sustento. É importante ressaltar também que esta estratégia não se aplica somente à indústria calçadista, mas estende-se também à produção de outros bens de consumo.
    O Império do Consumidor ao manifestar suas necessidades e desejos, amplia as exigências aos seus fornecedores, a partir da conectividade e da instantaneidade dos fluxos de informação, tornando rapidamente o que é inovador em coisas comuns, acelerando o processo de comoditização.
    Diante deste cenário mundial para a indústria calçadista brasileira é que surge a proposta da Nova Fábrica de Calçados - NFC. Talvez a denominação não seja a mais adequada, pois que no nosso País, uma pujante atividade calçadista há mais de trinta anos fornece calçados para o mundo inteiro a partir de competências que lhe asseguraram uma posição de destaque nesta atividade.
    Como os cenários são dotados de uma dinâmica de rápidas mudanças, há a necessidade de se avançar continuamente na busca de condições mais privilegiadas no ambiente global e conectado do consumo de calçados.
    A indústria calçadista brasileira tem este lastro de potencialidades construídos ao longo destes anos que lhe asseguram condições ímpares, e excepcionais para continuar o processo de upgrade de sua eficácia empresarial para continuar por muito anos caminhar nesta trajetória vitoriosa de um dos maiores fornecedores de calçados mundiais.
    É com base nestas considerações que descreveremos nos próximos cinco capítulos, a Nova Fábrica de Calçados – NFC, como uma organização que desenvolve competências para atender vantajosamente, frente aos concorrentes mundiais, as demandas do Império do Consumidor de calçados, inserido na Nova Economia.

NFC é obra do Eng. MSc. Fernando Oscar Geib, Diretor da CINÉTICA Assessoria Empresarial Ltda. Estando no México, recebi informativo do IBTec divulgando conferência ministrada pelo Eng. Geib. Como estava a 10.000 km não poderia assistir e solicitei material para análise. Para minha surpresa, o Eng. Geib enviou material ao meu e-mail.

Agora, estando no Brasil, periódicamente nos reunimos para filosofar sobre técnicas passadas usadas na organização da indústria e sobre novas tendências. No início, a filosofia NFC me parecia algo como a extinta Brashoes, porém os frequentes encontros com o Eng. Geib me mostraram que não. NFC busca levar á fábrica de calçados, uma filosofia de organização industrial, em todos os aspectos, com ênfase a "curvatura do espaço", tanto no desenho industrial, como na estrutura dos processos que a fazem funcionar. Embora a compreensão do pensamento NFC exija concentração por parte do leitor, o método se torna mais claro a partir dos módulos “A NFC na prática”! Também contamos com um belo vídeo que pode ser enviado a você se o solicitares.

Depois de ter recebido do Engenheiro, um powerpoint de sua ultima conferência, a filosofia começa a tomar forma no meu pensamento. Agradeço a Geib a liberdade em passar a divulgar seu pensamento, a visão NFC. Aqui neste espaço, assim como a revista Tecnicouro do IBTeC, passarei a publicar informações da NFC. Dúvidas e maiores informações podem ser solicitadas diretamente ao Eng. MSc. Fernando Oscar Geib através do e-mail cineticanh@uol.com.br.

O exposto nos artigos a seguir é rico material á críticos, engenheiros, cronoanalistas, consultores, administradores e estrategistas. Ou porque não dizer, aos apaixonados pela inovação e

criação de novos valores. Forte abraço de Ceschini e Geib.